A indústria têxtil brasileira elaborou uma lista de 13 países que serão objetivo de exportação para os próximos dois anos
China, Austrália e Grécia são os potenciais novos mercados nos quais a indústria têxtil brasileira investirá; especial atenção também para Colômbia, México, Argentina, Angola, Portugal, Espanha, França, Reino Unido, Itália e Emirados Árabes. Para incentivar as vendas de produtos têxteis para os treze países selecionados, a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) assinou, dia 4 de maio, um convênio de dois anos com a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Para a China, as indústrias brasileiras exportarão produtos de maior valor agregado para público de alto poder aquisitivo. Para a Austrália, a venda se concentra em roupas infantis e, para a Grécia, em artigos de cama, mesa e banho e linha praia.
"Estamos nos preparando para elevar a participação do Brasil, que é menor do que 1%, no comércio têxtil mundial", diz Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Abit. O convênio prevê um investimento no valor de R$ 44 milhões, divididos entre empresários e governo, para financiar a participação de profissionais em feiras e eventos. As 518 empresas que fazem parte do programa Texbrasil (exportação de moda brasileira) deverão exportar cerca de 460 milhões de dolares neste ano (5% a mais do que em 2009).
O setor também se prepara para vender mais no Brasil. O consumo anual no país de fibras – usadas na produção de roupas, artigos de decoração e outros – é de 11 quilos por habitante. "Por muitos anos o consumo ficou entre 9 quilos e 10 quilos. Se o setor crescer 6%, o consumo de fibras vai superar 11 quilos ao ano por habitante".
Os empresários se animam com pesquisa da A.T. Kearney, que, pela segunda vez, posiciona o Brasil como país mais promissor para investimentos do varejo mundial de vestuário. A pesquisa considera tamanho de mercado, perspectiva de crescimento e gasto por habitante.
Ítalo-brasileiro
A Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior) acaba de fechar acordo com a associação italiana Brazil Planet com o objetivo de incrementar o comércio bilateral entre os dois países. "Já existem alguns negócios bem adiantados, prestes a serem fechados, nas áreas de cosméticos, autopeças e curtumes", comenta o presidente da Abracex, Roberto Segatto. Nos últimos anos, os negócios entre Brasil e Itália têm sido modestos, com a maior parte das exportações de produtos primários, explicou Segatto.
"O acordo consolidará o comércio entre o Brasil e a Itália. Vamos focar as exportações brasileiras de manufaturados, de bens de maior valor agregado", diz Giacomo Guarnera, representante da Brazil Planet no Brasil. Do ponto de vista da Itália, Guarnera acrescenta que a meta principal é ampliar o mercado por meio de joint ventures com empresas brasileiras.
Fonte: Folha de S. Paulo – 04/05/2010 – caderno dinheiro Mercado Aberto